Cartas de Junho (8)

 


“Achei que, como num conto de fadas, ele fosse se transformar num príncipe e suprir todas as minhas carências afetivas”

Existem pessoas que não percebem o quanto comprometem as vidas de outras pessoas. Atormentam tanto que tiram a paz, causam desespero e dor.

Podemos ver isso em todos os ambientes sociais, na família, escola, no trabalho, independente da idade ou instrução, as pessoas padecem porque outras pessoas fazem destas vidas um verdadeiro inferno.

Fiquei pensando como poderiam fazer para se proteger deste assédio moral... Mas, me lembrei que também vivi tudo isso. Naquela época, o problema acontecia no meu lar, eu gostava de chamar de lar, mas era apenas uma casa fria onde nos deparávamos com situações ensurdecedoras de lamentos e desolação. Era como se a vida lá fora fosse um paraíso, apesar de toda violência e caos. Nenhum de nós queria permanecer ali porque aquele genitor fazia de tudo para deixar muito claro o quanto éramos miseráveis.

Eu me casei achando que ele podia mudar, podia abandonar a bebida e se tornar um pai amoroso. Eu sonhava com uma família e achei que estava tão apaixonada que poderia superar tudo. Eu reconhecia o quanto ele era leviano, mas nunca me considerei tão superior a ele, achei que, como num conto de fadas, ele fosse se transformar num príncipe e suprir todas as minhas carências afetivas, mas isso jamais seria possível porque devemos nos responsabilizar por nossa cota de felicidade ou não.

Mas, eu só compreendi isso com o tempo. Quando ele chegava em casa bêbado, criticando todo mundo, esmurrando a porta e gritando que queria aperitivos, nos encolhíamos de medo. Eu já estava cansada de apanhar, mas o pior nem era isso. O pior de tudo era a insegurança de agir, de ser mal interpretada, viver tensa na sua própria casa e temer mais pela vida dos seus filhos do que pela própria vida, isso não é jeito de viver.

Sei que temos provas para enfrentar, mas muitas vezes, nossos sofrimentos são fruto de nossa imprudência. Eu não tinha por que passar por tudo aquilo e eu não queria mais. Ele insultou minha consciência e fez com que todos nós tivéssemos medo de nos expressarmos diante de qualquer um.

Ele nunca percebeu o quanto nos fez sofrer, o quanto nos fez mal. Para ele, era muito normal sofrermos unidos porque ele não queria parar de beber e se comportar adequadamente no ambiente doméstico.

Um dia, simplesmente enxerguei aquela situação como absurda e decidi mudar. Eu me recusei continuar vivendo daquela maneira medíocre. Nossos filhos já estavam crescidos e eu, do nada, percebi que aquilo devia acabar. Então, arrumei nossas coisas e parti. Claro que ele foi atrás de nós para me massacrar, mas o Universo quis diferente. Ele sofreu um acidente e morreu.

Eu voltei para nossa casa, cuidei de enterrar aquele corpo e dei continuidade nas nossas vidas. A minha casa nunca foi tão tranquila. Assim, pudemos perceber que nossos problemas tinham nome e sobrenome.

Foi uma libertação! Por isso, digo que algumas pessoas não conseguem entender que devem viver suas vidas almejando propagar a paz. Nós não devemos atormentar as outras pessoas. Causar problemas, dar dor de cabeça ou inquietação porque não sabemos como poderão reagir. Este mundo já trás pesares por si só. Cada um de nós já tem suas provas para enfrentar. Se cada um cuidar da sua vida sem prejudicar, já estará ajudando.

Guilhermina

01/06/2025

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As pessoas devem usar seu tempo precioso em prol da própria evolução”

Ir para a escola era o meu maior desafio. Todos os dias eu acordava e tentava tirar forças sei lá de onde para seguir rumo à escola.

Tentei falar com meus pais, mas eles não deram confiança para meus lamentos, foi como dizer que eu era preguiço e acomodado. Eu expliquei que eles faziam chacota comigo, disse que pegavam meus materiais e riam do meu corte de cabelo. Meu pai dizia que eu ficava parecido com o meu avô, ele não conseguia entender o quanto eles me maltratavam por causa da minha aparência.

No fundo, eu não tinha espaço nem dentro, nem fora de casa. Eu não cabia em lugar nenhum. Sem ninguém para conversar, ridicularizado, menosprezado nas minhas intenções, eu não via saída para os meus problemas. Acho que, sem tivessem me deixado completamente sozinho, eu teria encontrado a paz, mas daquela forma, eu não via solução para nada.

As coisas foram se agravando, eles começaram a me perseguir no caminho de volta para casa, me batiam na barriga para não deixar marcas visíveis e ficaram rondando minha casa para me amedrontar. Isso fez com que eu tentasse ficar em casa, me tornei prisioneiro na minha própria casa, mas meu pai dizia que eu tinha que ter coragem e resolver tudo sozinho.

Foi horrível o medo que senti, a solidão, o desespero. Assustado, eu só queria desaparecer. Acho que aqueles meninos valentes faziam tudo para aparecer diante de todos, para mostrar uma postura que no fundo nem tinham, eles não sabiam de nada. Era para fazer gracinha, mas eu sofria e eles nunca perceberam. Foi até que, um dia, correndo atrás de mim e ameaçando me bater com uma madeira, eu tomei coragem e avisei que me jogaria no rio. Eles duvidaram e incentivaram, ficaram me testando.

Eu estava tão cansado daquela vida ridícula que pulei. Eu avisei que iam se arrepender quando pudessem entender o quanto me fizeram mal. Logo depois, pude ver o quanto ficaram chocados. Eles não acreditavam que eu realmente tinha me jogado. Eles procuraram por mim, mas meu corpo foi para longe, demoraram para encontrar.

Todos ficaram muito arrependidos, inclusive meus pais que jamais puderam seguir em paz. Todos eles pensavam que não deviam ter me deixado sofrer tanto. Meus pais, acharam que podiam ter me defendido e conversado na escola ou com os pais dos outros alunos. Mamãe não perdoou meu pai, eles se separaram e ficaram muito amargurados.

Os garotos que me perseguiam ficaram com a cena aprisionando a mente. Mesmo depois de envelhecerem continuavam com aquilo latente, dificultando muitos contatos sociais, atrapalhando a tomada de decisões, enfim, eles não tiveram paz nenhum um dia sequer.

Eu fui socorrido. Apesar de ter me suicidado, os motivos foram analisados e pude receber a assistência necessária. Precisei de tratamento, análise dos meus atos e consequências diante da Lei, vou ter que expiar na própria oportunidade. Tudo isso me leva a crer que as pessoas devem usar seu tempo precioso em prol da própria evolução. Aquele que não ajuda, também não pode atrapalhar.

É a melhor maneira de viver neste mundo. Quem ainda não se desenvolveu apropriadamente para ser bom para o seu semelhante, ajudando em tudo o que for possível, deve apenas seguir os eu caminho. Nós já temos motivos demais para sofrermos, então, permitam que as pessoas sigam em paz.

Otávio

01/06/2025

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“Devemos nos controlar para não distribuirmos ofensas que possam comprometer a vida das pessoas”

Eu não consegui compreender o motivo daquela perseguição. Tinha gente que dizia ser por pura inveja, mas eu não tinha nada que me destacasse para ser invejada. Acho até que ela era muito melhor do que eu.

O fato é que aquela mulher não tinha ido com a minha cara e fazia de tudo para me prejudicar. Ela dizia que meu trabalho sempre estava mal feito e pedia para refazer, mas com isso, ela não percebia que eu perdia a condução e cheguei a dormir na rua sem ter como retornar para minha casa.

Ela falava que eu não me arrumava adequadamente para sustentar a boa imagem da empresa, mas não percebia que eu não tinha recursos para comprar roupas e sapatos que ela achava adequados. Isso tudo passou a me atormentar. Falava mal de mim para os colegas e chefes, dificultando minha convivência com as pessoas que tinham pré-julgamentos a meu respeito. Eu precisava do emprego, mas estava desconfortável de estar ali onde as pessoas me olhavam de canto deixando transparecer sua hostilidade.

Eu não quis estar ali, mas eu precisava do trabalho, então, fiquei tão mal emocionalmente que cheguei a adoecer fisicamente e precisei me ausentar. Medo de perder o emprego eu tinha, mas no fundo, eu sabia que precisava me libertar daquele local.

Pode até ser que aquela moça tenha guardado uma sensação ruim de outras vidas, me tratamento mal de forma gratuita porque somos desafetos, eu não descarto esta possibilidade, mas nós devemos nos controlar para não distribuirmos ofensas que possam comprometer a vida das pessoas.

Penso que o ambiente de trabalho deve ser lugar sagrado porque é o local onde você pode ganhar o seu sustento para ter dignidade na vida. Ninguém devia comprometer alguém no seu ambiente de trabalho. Mas, eu não aguentei e tive que sair de lá.

Chorei muito quando fui despedida, pensei no meu salário e que podia passar necessidade, mas dias depois, eu já estava empregada. O novo emprego me fez entender o que é ter dignidade. Os meus patrões eram ótimas pessoas e meus colegas de trabalho excelentes. Todos valorizavam aquele local e viviam como uma família, cheios de honestidade e lealdade.

Eu agradeci a Deus que me permitiu compreender o que estava errado. Não era eu, mas a maneira como as pessoas agiam com rivalidade num lugar que devia ter cooperação para prosperidade de todos.

Que possamos entender que depende de nós o ambiente pacífico para vivermos. Eu devo ter bom olhar diante das pessoas, permitindo que todos sintam a leveza no lugar onde estão inseridos. Cooperar para que possam viver em paz também é responsabilidade nossa.

 

Priscila

01/06/2025

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“Uma religião que afasta as pessoas, faz discriminar ou humilhar não pode ser de Deus”

Eles não me queriam ali e deixaram isso bem claro, mas o meu marido gostava muito de mim e nunca aceitou que me destratassem. Porém, eles faziam de tudo para que percebesse e me cansasse daquela situação.

Nunca omitiram que se tratava de intolerância religiosa, sempre afirmaram que a crença de toda família era diferente da que a minha família seguia. Eles orientaram o filho a buscar uma esposa no núcleo religioso que frequentavam, mas ele gostou de mim. Nós nos conhecemos num curso de extensão e eu me apaixonei imediatamente. Naquela época, eu não tinha como saber que estávamos predestinados por causa da nossa programação encarnatória.

Foi um reencontro de outras vidas, sempre tivemos muita afinidade e interação. Somos Espíritos simpáticos que se unem de diversas maneiras há centenas de anos, mas como saber? Dizíamos almas gêmeas. Assim, ficava mais fácil entender porque não era fácil nos separar;

Então, casamos e eles odiaram a nossa união. Parecia que faziam de tudo para me constranger e me criticar para que eu ficasse humilhada. Eu tentei disfarçar, fingir que não me incomodava, mas aquilo me constrangia demais. Fingiam gostar de mim diante do meu esposo, mas ninguém pode usar máscara o tempo todo e, um dia, causaram uma briga informando claramente o quanto detestavam me ver por perto. Meu esposo entendeu tudo, olhou para mim, enquanto eu chorava. Até pensei que ele fosse tomar as dores dos pais, mas ele foi amoroso e disse que, se os pais não suportavam me ver por perto, nós iriamos nos afastar por um tempo porque eu era a sua família.

Eu não gostei daquela situação. Toda a família virou as costas para nós, mas continuamos com nossas vidas, apesar da angústia e inquietação daquele afastamento como se fossemos criminosos. Logo vieram nossos filhos, prosseguimos encontrando ocupações enriquecedoras no nosso núcleo religioso, mas continuavam a nos desprezar.

As pessoas insistiam em fazer com que pensássemos como eles e tivéssemos a mesma crença como se uma religião nos tornasse pior, levianos. Não pararam para pensar que Deus, Pai de todos, quer a união e amor universal como ensinou Jesus.

Uma religião que afasta as pessoas, faz discriminar ou humilhar não pode ser de Deus. Eu segui minha vida e fui muito feliz com meu marido e filhos. Sempre me senti mal com o fato dos meus sogros não terem contato com o filho por minha causa, mas segui.

As pessoas têm que saber amar cada um de nós da forma que somos, independente das nossas escolhas, credo, posição social, cor, opção sexual, só amar pelo que verdadeiramente somos. Isso é Humanidade!

Toda forma de exclusão não pode ser vinculada a Deus ou ao bem. Excluir alguém é não permitir que ela conviva no mundo. Está relacionado a acusar e aplicar a sentença não permitindo que ela se manifeste ou se posicione, se erga. Todos sofrem quando são tachados, principalmente quando argumentam sem permitir defesa.

Eu fui feliz com a família que construímos e os amigos que Deus colocou em nossas vidas porque ninguém precisa ser aceito, precisa ser amado.

 

Gabriela

01/06/2025

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“Deus coloca pessoas boas em nosso caminho quando achamos que tudo está perdido”

 

O frio ardia, parecia que tudo se acabaria naquela noite gelada e sem esperança. Eu me lembrei de um tempo em que a casa era quente e os corações afetuosos corrigiam tudo, desentendimento ou dor. Naquele lar, as pessoas se amavam e o frio que circulava na casa não conseguia entrar porque as pessoas sabiam se aquecer.

Meus pais se amavam muito e me ensinavam tudo de bom, mas meu pai morreu e a mamãe ficou desolada. Pensei que ela também fosse morrer de tanta tristeza. A depressão tomou conta da nossa casa que começou a congelar. Nada mais tinha graça, a dor e o desespero estavam diante de nós todos os dias e não tínhamos como sobreviver, então, minha mãe conheceu um homem que modificou sua vida. Ela voltou a sorrir e passou a ter esperança, ela confiou nele e convidou a viver conosco.

Minha mãe pensou que aquele homem pudesse resolver todos os nossos problemas. Ela imaginou que todos os homens fossem como o meu pai, mas ele era o oposto do meu pai e tentou visitar o meu quarto. Eu tinha onze anos.

Foi a experiência mais terrível da minha vida, jamais vou esquecer. Contei para minha mãe, mas ela não acreditou porque ele já tinha envolvido os pensamentos dela com mentiras. Ela me bateu muito porque não aceitava mentiras.

Eu fiquei desesperada quando notei o risinho no rosto dele e sabia que tinha que sair dali, então, fui parar na rua. Eu encontrei uma senhora que estava ali há muito tempo. Fétida, mal alinhada, feia, suja, mas de um coração enorme. Ela tinha um cão que a aquecia. Disse que não queria que ninguém me fizesse mal, ela já tinha sido prejudicada pela maldade humana.

Ela me acolheu debaixo da ponte e me deu um cobertor que estava tão sujo que eu quase sufoquei, mas não passei tanto frio. Compreendi que Deus coloca pessoas boas em nosso caminho quando achamos que tudo está perdido. Eu estava revoltada, cansada, com fome e muito frio. Não tinha nenhum pouco de esperança. Achava que a morte era muito melhor do que aquela vida miserável, mas eu vivi.

Vi tanta coisa nas ruas... Ações de amor e voluntariado, crimes, desobediência, malandragem, crueldades. Eu vi de tudo e me impressionei com o comportamento humano. Os dias frios não me saem da cabeça, eram muito piores do que se pode imaginar. É como se fosse o último dia, sempre.

Mas, eu vi tudo se modificar com pequenos gestos desinteressados. Agasalhos, sopas, chocolate quente, lanche, cobertores. Quando recebíamos ajuda, tudo se modifica em nós. Era como ter a certeza de que Deus não nos abandonou, Ele estava enxergando os nossos problemas.

Depois de dois anos vivendo nestas condições dramáticas, minha avó me encontrou. Eu nem pude acreditar. Ela se comoveu muito quando me viu, chorou e me abraçou. Falou que o homem foi pego tentando abusar de outra mocinha, minha mãe ficou chocada e muito preocupada comigo, mas minha avó sempre me procurou. Ela não queria que eu retornasse para a casa da minha mãe, queria ficar comigo. Ela se sentiu em dívida com o meu pai, seu filho. Desejava cuidar de mim. Eu aceitei ficar com ela porque não conseguia mais confiar nos cuidados de minha mãe.

Parece que eu tinha mesmo que passar por aquela fase terrível, sentir e ver, tanta coisa cruel para me dedicar aos outros. Me formei como assistente social e trabalhei durante muitas décadas para ajudar as pessoas. Sempre me lembrando da minha vivência nas ruas, foi mais fácil me esforçar para que as pessoas fossem beneficiadas. Nós só podemos nos sentir úteis quando beneficiamos os outros.

O frio gela a alma!

 

Iolanda

15/06/2025

 

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“Nós sempre temos algo para ofertar a alguém que esteja numa situação ainda pior”

 

Ela passou no meu portão pedindo roupas de frio para sua família. Ela sabia que eu tinha crianças como ela e me informou que seu marido estava desempregado. As crianças crescem rápido, sabemos disse, ela queria agasalhos para os filhos.

Eu tinha como ajudar, mas não queria me desfazer das minhas coisas. Se eu desse para ela, poderia faltar para nós. Eu não ajudei.

Achava aquilo tudo muito constrangedor porque as pessoas têm que dar seu jeito para não precisar pedir nada para ninguém. Ela estava me deixando desconfortável em minha própria casa, então, tratei de despachá-la.

Eu não notei o quanto aquilo tudo era intimidador para ela. Aquilo “não” podia acabar com suas esperanças, mas eu não pensei nela, só em mim. Acho que eu era acumuladora. Tinha um problema de não gostar do pensamento de minhas coisas serem manipuladas por outras pessoas. Eu preferia queimar as roupas que não usássemos.

Quantas vezes eu fiz uma queima de nossas roupas sem uso? Nem consigo me lembrar. Passou um tempo, eu não vi mais aquela vizinha. Houve uma grande crise no país e meu marido também perdeu o emprego. Parecia um castigo.

Em pouco tempo, nossa vida mudou. Não tínhamos dinheiro para nada, nem mesmo, para pagar as contas básicas. Eu me vi passando necessidade com meus filhos, precisei buscar emprego, não achei nada por causa da minha idade avançada e falta de profissão.

O jeito foi fazer faxina. Eu aceitava tudo o que minhas patroas ofereciam. Não podia recusar porque na minha casa precisávamos de tudo. Daí me lembrei dela. Entendi como dói o peso da humilhação. Como é difícil receber a ajuda e sentir vergonha de não ser bem sucedido.

Eu precisava de tudo e recebia muitas migalhas. Roupas rasgadas, sapatos gastos, restos de comida e, mesmo assim, tinha que agradecer porque tudo era útil para quem não tem nada. Eu colhi o que plantei.

A minha arrogância era grande, levou um bom tempo para que eu pudesse aprender a receber, ser realmente humilde quando estendia as mãos. Mas, um dia. Eu recebi com verdadeira gratidão. Já tinha aprendido a ser previdente, não esbanjava e conseguia fazer render mantimentos e vestuário. Eu agradecia de coração e, quando isso aconteceu, parece que as coisas começaram a melhorar.

Nós passamos frio e fome. Eu vi a vida de uma forma bem diferente e comecei a doar. Quando parece que você não tem nada, se observar atentamente, consegue algo para doar. Nós sempre temos algo para ofertar a alguém que esteja numa situação ainda pior. É preciso olhar para o sofrimento alheio.

Nunca mais me esqueci daquela vizinha. Qualquer um pode passar por dificuldades. É muito melhor ajudar, ofertar desinteressadamente porque nos preocupamos com nossos semelhantes.

 

Isabel

15/06/2025

 

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“A humildade permite que a pessoa encontre falhas em si mesmo

 

Os melindrosos são pessoas difíceis. Eles se sentem ultrajados, perseguidos e só sabem lamentar. O tempo que passam tentando achar justificativas para os insultos que recebem faz com que deixem importantes obras de redenção.

O melindroso perde amigos, colegas de trabalho, familiares e importantes atuações em obras dignificantes. Tudo isso porque o olhar está embaçado pelo orgulho. É como se constantemente fossem mal tratados.

Todas as pessoas devem se observar no mundo como estudantes capacitados que precisam de estudo disciplinado e o mais rico labor em prol da sua construção íntima. O tempo é recurso precioso, precisando ser bem aproveitado.

Quando estamos empenhados na evolução e reestruturação íntima, não encontramos tempo para compreender o que as pessoas pensam de nós, temos muito a fazer, muito a organizar e praticar. Cada um guarda em sua mente as necessidades e empreendimentos que desejar. Não podemos ser senhores absolutos da verdade e manipular os pensamentos ou intenções alheias.

O melindre nasce do orgulho e pode estar enraizado em algum acontecimento da infância mal resolvida. Quando a criança não foi compreendida e não recebeu todo afeto que achava merecer por parte dos genitores. Cresce e acredita que ninguém na Terra será capaz de compreender suas necessidades, como se nada fosse tão importante quanto ele, não receber afeto ou atenção.

Isso compromete esquemas importantes de trabalho ou estruturas sociais. O mais adequado é a terapia, oração fervorosa para eliminar as angústias do passado e impedir a quebra de relacionamentos ou explosões que possam gerar ressentimentos.

Cada pessoa tem dentro de si um bloqueio que pode comprometer sua evolução. Na reforma íntima, o indivíduo consegue perceber o que realmente pode ser fator de queda moral e combater conscientemente este bloqueio com a ajuda do Evangelho.

Mas, o melindroso não consegue fazer esta análise real porque não vê bloqueio em si mesmo, já que ele só consegue achar problemas nos outros.

A humildade permite que a pessoa encontre falhas em si mesmo. Todos nós, Espíritos em evolução, temos limitações morais, então, para que você possa ter bons relacionamentos, precisa ser humilde e encarar quando o problema está em você. Se não conseguir sozinho, peça ajuda. Primeiro à Deus que concederá que pessoas competentes te auxiliem na compreensão de si mesmo.

 

Gregório

15/06/2025

 

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“Ninguém é tão pobre assim que mereça pensar apenas em si mesmo”

 

Todos podem ajudar!

Quando você ajuda, sente-se útil e necessário ao todo.

São inúmeros os recursos, tão belos de se ver numa noite fria. Tem aquele que doa no metrô, na igreja, nos asilos ou orfanatos. Eles doam cobertores que não usam mais, roupas bem quentinhas que estavam atravancando os armários, doam pantufas e tênis. Eles doam amor.

Eles não sabem para onde vão as doações. Não têm ideia de quem irá vestir, mas geram na alma uma leveza que faz abençoar. Estes não têm contato com a dor, não veem o carente, mas estão beneficiando de qualquer maneira.

Outros tantos preferem o contato. Eles entregam em mãos, veem o olhar, sentem o frio e a solidão. Doam, além do agasalho, o pão e também apresentam Jesus com o seu Evangelho. Eles levam amor, atenção, esperança e paz. Eles se movem pela gratidão, sentem os fluidos a percorrer o coração. São trabalhadores abnegados que não param se chove, eles atuam com devotamento. Sabem que a dor do próximo é a sua própria dor.

São tantos irmãos que trabalham no frio...

Senhoras bondosas que preparam o sopão, o café com pão, macarrão, tudo bem quentinho para aquecer. Eles trabalham cortando tudo e temperam com fluidos de bondade. Muitas não conseguem entregar, já estão cansadas da preparação, da montagem, deixam tudo embaladinho para o consumo imediato.

Quando outros trabalhadores vão entregar, saem satisfeitos em busca daqueles que estão amontoados para se aquecerem. É um gesto importante de fraternidade que não olha cor, credo, nacionalidade. É só amor e necessidade.

Todos podem ajudar: fubá, feijão e arroz. Todos podem doar: touca, cachecol ou cobertor. Ninguém é tão pobre assim que mereça pensar apenas em si mesmo. Ninguém é tão miserável que não possa cortar cebolas ou entregar um prato. Participar do trabalho social é ato de fé e de amparo. É necessidade íntima de renovação e iluminação que desenvolve caráter e fornece recursos para consciência edificante.

 

Abinael

15/06/2025


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