“Achei que, como num conto de fadas, ele fosse se transformar num príncipe e suprir todas as minhas carências afetivas”
Existem pessoas que não percebem o quanto comprometem as vidas de outras
pessoas. Atormentam tanto que tiram a paz, causam desespero e dor.
Podemos ver isso em todos os ambientes sociais, na família, escola, no
trabalho, independente da idade ou instrução, as pessoas padecem porque outras
pessoas fazem destas vidas um verdadeiro inferno.
Fiquei pensando como poderiam fazer para se proteger deste assédio
moral... Mas, me lembrei que também vivi tudo isso. Naquela época, o problema
acontecia no meu lar, eu gostava de chamar de lar, mas era apenas uma casa fria
onde nos deparávamos com situações ensurdecedoras de lamentos e desolação. Era
como se a vida lá fora fosse um paraíso, apesar de toda violência e caos.
Nenhum de nós queria permanecer ali porque aquele genitor fazia de tudo para
deixar muito claro o quanto éramos miseráveis.
Eu me casei achando que ele podia mudar, podia abandonar a bebida e se
tornar um pai amoroso. Eu sonhava com uma família e achei que estava tão
apaixonada que poderia superar tudo. Eu reconhecia o quanto ele era leviano,
mas nunca me considerei tão superior a ele, achei que, como num conto de fadas,
ele fosse se transformar num príncipe e suprir todas as minhas carências
afetivas, mas isso jamais seria possível porque devemos nos responsabilizar por
nossa cota de felicidade ou não.
Mas, eu só compreendi isso com o tempo. Quando ele chegava em casa
bêbado, criticando todo mundo, esmurrando a porta e gritando que queria
aperitivos, nos encolhíamos de medo. Eu já estava cansada de apanhar, mas o
pior nem era isso. O pior de tudo era a insegurança de agir, de ser mal
interpretada, viver tensa na sua própria casa e temer mais pela vida dos seus
filhos do que pela própria vida, isso não é jeito de viver.
Sei que temos provas para enfrentar, mas muitas vezes, nossos sofrimentos
são fruto de nossa imprudência. Eu não tinha por que passar por tudo aquilo e
eu não queria mais. Ele insultou minha consciência e fez com que todos nós
tivéssemos medo de nos expressarmos diante de qualquer um.
Ele nunca percebeu o quanto nos fez sofrer, o quanto nos fez mal. Para
ele, era muito normal sofrermos unidos porque ele não queria parar de beber e
se comportar adequadamente no ambiente doméstico.
Um dia, simplesmente enxerguei aquela situação como absurda e decidi
mudar. Eu me recusei continuar vivendo daquela maneira medíocre. Nossos filhos
já estavam crescidos e eu, do nada, percebi que aquilo devia acabar. Então,
arrumei nossas coisas e parti. Claro que ele foi atrás de nós para me
massacrar, mas o Universo quis diferente. Ele sofreu um acidente e morreu.
Eu voltei para nossa casa, cuidei de enterrar aquele corpo e dei
continuidade nas nossas vidas. A minha casa nunca foi tão tranquila. Assim,
pudemos perceber que nossos problemas tinham nome e sobrenome.
Foi uma libertação! Por isso, digo que algumas pessoas não conseguem
entender que devem viver suas vidas almejando propagar a paz. Nós não devemos
atormentar as outras pessoas. Causar problemas, dar dor de cabeça ou
inquietação porque não sabemos como poderão reagir. Este mundo já trás pesares
por si só. Cada um de nós já tem suas provas para enfrentar. Se cada um cuidar
da sua vida sem prejudicar, já estará ajudando.
Guilhermina
01/06/2025
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“As pessoas devem usar seu tempo precioso em prol da própria evolução”
Ir para a escola era o meu maior desafio. Todos os dias eu acordava e
tentava tirar forças sei lá de onde para seguir rumo à escola.
Tentei falar com meus pais, mas eles não deram confiança para meus
lamentos, foi como dizer que eu era preguiço e acomodado. Eu expliquei que eles
faziam chacota comigo, disse que pegavam meus materiais e riam do meu corte de
cabelo. Meu pai dizia que eu ficava parecido com o meu avô, ele não conseguia
entender o quanto eles me maltratavam por causa da minha aparência.
No fundo, eu não tinha espaço nem dentro, nem fora de casa. Eu não cabia
em lugar nenhum. Sem ninguém para conversar, ridicularizado, menosprezado nas
minhas intenções, eu não via saída para os meus problemas. Acho que, sem
tivessem me deixado completamente sozinho, eu teria encontrado a paz, mas
daquela forma, eu não via solução para nada.
As coisas foram se agravando, eles começaram a me perseguir no caminho de
volta para casa, me batiam na barriga para não deixar marcas visíveis e ficaram
rondando minha casa para me amedrontar. Isso fez com que eu tentasse ficar em
casa, me tornei prisioneiro na minha própria casa, mas meu pai dizia que eu
tinha que ter coragem e resolver tudo sozinho.
Foi horrível o medo que senti, a solidão, o desespero. Assustado, eu só
queria desaparecer. Acho que aqueles meninos valentes faziam tudo para aparecer
diante de todos, para mostrar uma postura que no fundo nem tinham, eles não
sabiam de nada. Era para fazer gracinha, mas eu sofria e eles nunca perceberam.
Foi até que, um dia, correndo atrás de mim e ameaçando me bater com uma
madeira, eu tomei coragem e avisei que me jogaria no rio. Eles duvidaram e
incentivaram, ficaram me testando.
Eu estava tão cansado daquela vida ridícula que pulei. Eu avisei que iam
se arrepender quando pudessem entender o quanto me fizeram mal. Logo depois,
pude ver o quanto ficaram chocados. Eles não acreditavam que eu realmente tinha
me jogado. Eles procuraram por mim, mas meu corpo foi para longe, demoraram
para encontrar.
Todos ficaram muito arrependidos, inclusive meus pais que jamais puderam
seguir em paz. Todos eles pensavam que não deviam ter me deixado sofrer tanto.
Meus pais, acharam que podiam ter me defendido e conversado na escola ou com os
pais dos outros alunos. Mamãe não perdoou meu pai, eles se separaram e ficaram
muito amargurados.
Os garotos que me perseguiam ficaram com a cena aprisionando a mente.
Mesmo depois de envelhecerem continuavam com aquilo latente, dificultando
muitos contatos sociais, atrapalhando a tomada de decisões, enfim, eles não
tiveram paz nenhum um dia sequer.
Eu fui socorrido. Apesar de ter me suicidado, os motivos foram analisados
e pude receber a assistência necessária. Precisei de tratamento, análise dos
meus atos e consequências diante da Lei, vou ter que expiar na própria
oportunidade. Tudo isso me leva a crer que as pessoas devem usar seu tempo
precioso em prol da própria evolução. Aquele que não ajuda, também não pode
atrapalhar.
É a melhor maneira de viver neste mundo. Quem ainda não se desenvolveu
apropriadamente para ser bom para o seu semelhante, ajudando em tudo o que for
possível, deve apenas seguir os eu caminho. Nós já temos motivos demais para
sofrermos, então, permitam que as pessoas sigam em paz.
Otávio
01/06/2025
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“Devemos nos controlar para não distribuirmos ofensas que possam comprometer a vida das pessoas”
Eu não consegui compreender o motivo daquela perseguição. Tinha gente que
dizia ser por pura inveja, mas eu não tinha nada que me destacasse para ser
invejada. Acho até que ela era muito melhor do que eu.
O fato é que aquela mulher não tinha ido com a minha cara e fazia de tudo
para me prejudicar. Ela dizia que meu trabalho sempre estava mal feito e pedia
para refazer, mas com isso, ela não percebia que eu perdia a condução e cheguei
a dormir na rua sem ter como retornar para minha casa.
Ela falava que eu não me arrumava adequadamente para sustentar a boa
imagem da empresa, mas não percebia que eu não tinha recursos para comprar
roupas e sapatos que ela achava adequados. Isso tudo passou a me atormentar.
Falava mal de mim para os colegas e chefes, dificultando minha convivência com
as pessoas que tinham pré-julgamentos a meu respeito. Eu precisava do emprego,
mas estava desconfortável de estar ali onde as pessoas me olhavam de canto
deixando transparecer sua hostilidade.
Eu não quis estar ali, mas eu precisava do trabalho, então, fiquei tão
mal emocionalmente que cheguei a adoecer fisicamente e precisei me ausentar.
Medo de perder o emprego eu tinha, mas no fundo, eu sabia que precisava me
libertar daquele local.
Pode até ser que aquela moça tenha guardado uma sensação ruim de outras
vidas, me tratamento mal de forma gratuita porque somos desafetos, eu não
descarto esta possibilidade, mas nós devemos nos controlar para não
distribuirmos ofensas que possam comprometer a vida das pessoas.
Penso que o ambiente de trabalho deve ser lugar sagrado porque é o local
onde você pode ganhar o seu sustento para ter dignidade na vida. Ninguém devia
comprometer alguém no seu ambiente de trabalho. Mas, eu não aguentei e tive que
sair de lá.
Chorei muito quando fui despedida, pensei no meu salário e que podia
passar necessidade, mas dias depois, eu já estava empregada. O novo emprego me
fez entender o que é ter dignidade. Os meus patrões eram ótimas pessoas e meus
colegas de trabalho excelentes. Todos valorizavam aquele local e viviam como
uma família, cheios de honestidade e lealdade.
Eu agradeci a Deus que me permitiu compreender o que estava errado. Não
era eu, mas a maneira como as pessoas agiam com rivalidade num lugar que devia
ter cooperação para prosperidade de todos.
Que possamos entender que depende de nós o ambiente pacífico para
vivermos. Eu devo ter bom olhar diante das pessoas, permitindo que todos sintam
a leveza no lugar onde estão inseridos. Cooperar para que possam viver em paz
também é responsabilidade nossa.
Priscila
01/06/2025
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“Uma religião que
afasta as pessoas, faz discriminar ou humilhar não pode ser de Deus”
Eles não me queriam ali e deixaram isso bem claro, mas o meu marido
gostava muito de mim e nunca aceitou que me destratassem. Porém, eles faziam de
tudo para que percebesse e me cansasse daquela situação.
Nunca omitiram que se tratava de intolerância religiosa, sempre afirmaram
que a crença de toda família era diferente da que a minha família seguia. Eles
orientaram o filho a buscar uma esposa no núcleo religioso que frequentavam,
mas ele gostou de mim. Nós nos conhecemos num curso de extensão e eu me
apaixonei imediatamente. Naquela época, eu não tinha como saber que estávamos
predestinados por causa da nossa programação encarnatória.
Foi um reencontro de outras vidas, sempre tivemos muita afinidade e
interação. Somos Espíritos simpáticos que se unem de diversas maneiras há
centenas de anos, mas como saber? Dizíamos almas gêmeas. Assim, ficava mais
fácil entender porque não era fácil nos separar;
Então, casamos e eles odiaram a nossa união. Parecia que faziam de tudo
para me constranger e me criticar para que eu ficasse humilhada. Eu tentei
disfarçar, fingir que não me incomodava, mas aquilo me constrangia demais.
Fingiam gostar de mim diante do meu esposo, mas ninguém pode usar máscara o
tempo todo e, um dia, causaram uma briga informando claramente o quanto
detestavam me ver por perto. Meu esposo entendeu tudo, olhou para mim, enquanto
eu chorava. Até pensei que ele fosse tomar as dores dos pais, mas ele foi
amoroso e disse que, se os pais não suportavam me ver por perto, nós iriamos
nos afastar por um tempo porque eu era a sua família.
Eu não gostei daquela situação. Toda a família virou as costas para nós,
mas continuamos com nossas vidas, apesar da angústia e inquietação daquele
afastamento como se fossemos criminosos. Logo vieram nossos filhos,
prosseguimos encontrando ocupações enriquecedoras no nosso núcleo religioso,
mas continuavam a nos desprezar.
As pessoas insistiam em fazer com que pensássemos como eles e tivéssemos
a mesma crença como se uma religião nos tornasse pior, levianos. Não pararam
para pensar que Deus, Pai de todos, quer a união e amor universal como ensinou
Jesus.
Uma religião que afasta as pessoas, faz discriminar ou humilhar não pode
ser de Deus. Eu segui minha vida e fui muito feliz com meu marido e filhos.
Sempre me senti mal com o fato dos meus sogros não terem contato com o filho
por minha causa, mas segui.
As pessoas têm que saber amar cada um de nós da forma que somos,
independente das nossas escolhas, credo, posição social, cor, opção sexual, só
amar pelo que verdadeiramente somos. Isso é Humanidade!
Toda forma de exclusão não pode ser vinculada a Deus ou ao bem. Excluir
alguém é não permitir que ela conviva no mundo. Está relacionado a acusar e
aplicar a sentença não permitindo que ela se manifeste ou se posicione, se
erga. Todos sofrem quando são tachados, principalmente quando argumentam sem
permitir defesa.
Eu fui feliz com a família que construímos e os amigos que Deus colocou
em nossas vidas porque ninguém precisa ser aceito, precisa ser amado.
Gabriela
01/06/2025
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“Deus coloca pessoas boas em nosso caminho quando achamos que tudo está
perdido”
O frio ardia,
parecia que tudo se acabaria naquela noite gelada e sem esperança. Eu me
lembrei de um tempo em que a casa era quente e os corações afetuosos corrigiam
tudo, desentendimento ou dor. Naquele lar, as pessoas se amavam e o frio que
circulava na casa não conseguia entrar porque as pessoas sabiam se aquecer.
Meus pais se
amavam muito e me ensinavam tudo de bom, mas meu pai morreu e a mamãe ficou
desolada. Pensei que ela também fosse morrer de tanta tristeza. A depressão
tomou conta da nossa casa que começou a congelar. Nada mais tinha graça, a dor
e o desespero estavam diante de nós todos os dias e não tínhamos como
sobreviver, então, minha mãe conheceu um homem que modificou sua vida. Ela
voltou a sorrir e passou a ter esperança, ela confiou nele e convidou a viver
conosco.
Minha mãe pensou
que aquele homem pudesse resolver todos os nossos problemas. Ela imaginou que
todos os homens fossem como o meu pai, mas ele era o oposto do meu pai e tentou
visitar o meu quarto. Eu tinha onze anos.
Foi a
experiência mais terrível da minha vida, jamais vou esquecer. Contei para minha
mãe, mas ela não acreditou porque ele já tinha envolvido os pensamentos dela
com mentiras. Ela me bateu muito porque não aceitava mentiras.
Eu fiquei
desesperada quando notei o risinho no rosto dele e sabia que tinha que sair
dali, então, fui parar na rua. Eu encontrei uma senhora que estava ali há muito
tempo. Fétida, mal alinhada, feia, suja, mas de um coração enorme. Ela tinha um
cão que a aquecia. Disse que não queria que ninguém me fizesse mal, ela já
tinha sido prejudicada pela maldade humana.
Ela me acolheu
debaixo da ponte e me deu um cobertor que estava tão sujo que eu quase
sufoquei, mas não passei tanto frio. Compreendi que Deus coloca pessoas boas em
nosso caminho quando achamos que tudo está perdido. Eu estava revoltada,
cansada, com fome e muito frio. Não tinha nenhum pouco de esperança. Achava que
a morte era muito melhor do que aquela vida miserável, mas eu vivi.
Vi tanta coisa
nas ruas... Ações de amor e voluntariado, crimes, desobediência, malandragem,
crueldades. Eu vi de tudo e me impressionei com o comportamento humano. Os dias
frios não me saem da cabeça, eram muito piores do que se pode imaginar. É como
se fosse o último dia, sempre.
Mas, eu vi tudo
se modificar com pequenos gestos desinteressados. Agasalhos, sopas, chocolate
quente, lanche, cobertores. Quando recebíamos ajuda, tudo se modifica em nós.
Era como ter a certeza de que Deus não nos abandonou, Ele estava enxergando os
nossos problemas.
Depois de dois
anos vivendo nestas condições dramáticas, minha avó me encontrou. Eu nem pude
acreditar. Ela se comoveu muito quando me viu, chorou e me abraçou. Falou que o
homem foi pego tentando abusar de outra mocinha, minha mãe ficou chocada e
muito preocupada comigo, mas minha avó sempre me procurou. Ela não queria que
eu retornasse para a casa da minha mãe, queria ficar comigo. Ela se sentiu em
dívida com o meu pai, seu filho. Desejava cuidar de mim. Eu aceitei ficar com
ela porque não conseguia mais confiar nos cuidados de minha mãe.
Parece que eu
tinha mesmo que passar por aquela fase terrível, sentir e ver, tanta coisa
cruel para me dedicar aos outros. Me formei como assistente social e trabalhei
durante muitas décadas para ajudar as pessoas. Sempre me lembrando da minha
vivência nas ruas, foi mais fácil me esforçar para que as pessoas fossem
beneficiadas. Nós só podemos nos sentir úteis quando beneficiamos os outros.
O frio gela a
alma!
Iolanda
15/06/2025
***
“Nós sempre temos
algo para ofertar a alguém que esteja numa situação ainda pior”
Ela passou no
meu portão pedindo roupas de frio para sua família. Ela sabia que eu tinha
crianças como ela e me informou que seu marido estava desempregado. As crianças
crescem rápido, sabemos disse, ela queria agasalhos para os filhos.
Eu tinha como
ajudar, mas não queria me desfazer das minhas coisas. Se eu desse para ela,
poderia faltar para nós. Eu não ajudei.
Achava aquilo
tudo muito constrangedor porque as pessoas têm que dar seu jeito para não
precisar pedir nada para ninguém. Ela estava me deixando desconfortável em
minha própria casa, então, tratei de despachá-la.
Eu não notei o
quanto aquilo tudo era intimidador para ela. Aquilo “não” podia acabar com suas
esperanças, mas eu não pensei nela, só em mim. Acho que eu era acumuladora.
Tinha um problema de não gostar do pensamento de minhas coisas serem
manipuladas por outras pessoas. Eu preferia queimar as roupas que não
usássemos.
Quantas vezes eu
fiz uma queima de nossas roupas sem uso? Nem consigo me lembrar. Passou um
tempo, eu não vi mais aquela vizinha. Houve uma grande crise no país e meu
marido também perdeu o emprego. Parecia um castigo.
Em pouco tempo,
nossa vida mudou. Não tínhamos dinheiro para nada, nem mesmo, para pagar as
contas básicas. Eu me vi passando necessidade com meus filhos, precisei buscar
emprego, não achei nada por causa da minha idade avançada e falta de profissão.
O jeito foi
fazer faxina. Eu aceitava tudo o que minhas patroas ofereciam. Não podia
recusar porque na minha casa precisávamos de tudo. Daí me lembrei dela. Entendi
como dói o peso da humilhação. Como é difícil receber a ajuda e sentir vergonha
de não ser bem sucedido.
Eu precisava de
tudo e recebia muitas migalhas. Roupas rasgadas, sapatos gastos, restos de
comida e, mesmo assim, tinha que agradecer porque tudo era útil para quem não
tem nada. Eu colhi o que plantei.
A minha
arrogância era grande, levou um bom tempo para que eu pudesse aprender a
receber, ser realmente humilde quando estendia as mãos. Mas, um dia. Eu recebi
com verdadeira gratidão. Já tinha aprendido a ser previdente, não esbanjava e
conseguia fazer render mantimentos e vestuário. Eu agradecia de coração e,
quando isso aconteceu, parece que as coisas começaram a melhorar.
Nós passamos
frio e fome. Eu vi a vida de uma forma bem diferente e comecei a doar. Quando
parece que você não tem nada, se observar atentamente, consegue algo para doar.
Nós sempre temos algo para ofertar a alguém que esteja numa situação ainda
pior. É preciso olhar para o sofrimento alheio.
Nunca mais me
esqueci daquela vizinha. Qualquer um pode passar por dificuldades. É muito
melhor ajudar, ofertar desinteressadamente porque nos preocupamos com nossos
semelhantes.
Isabel
15/06/2025
***
“A humildade
permite que a pessoa encontre falhas em si mesmo”
Os melindrosos
são pessoas difíceis. Eles se sentem ultrajados, perseguidos e só sabem
lamentar. O tempo que passam tentando achar justificativas para os insultos que
recebem faz com que deixem importantes obras de redenção.
O melindroso
perde amigos, colegas de trabalho, familiares e importantes atuações em obras
dignificantes. Tudo isso porque o olhar está embaçado pelo orgulho. É como se
constantemente fossem mal tratados.
Todas as pessoas
devem se observar no mundo como estudantes capacitados que precisam de estudo
disciplinado e o mais rico labor em prol da sua construção íntima. O tempo é
recurso precioso, precisando ser bem aproveitado.
Quando estamos
empenhados na evolução e reestruturação íntima, não encontramos tempo para
compreender o que as pessoas pensam de nós, temos muito a fazer, muito a
organizar e praticar. Cada um guarda em sua mente as necessidades e
empreendimentos que desejar. Não podemos ser senhores absolutos da verdade e
manipular os pensamentos ou intenções alheias.
O melindre nasce
do orgulho e pode estar enraizado em algum acontecimento da infância mal
resolvida. Quando a criança não foi compreendida e não recebeu todo afeto que
achava merecer por parte dos genitores. Cresce e acredita que ninguém na Terra
será capaz de compreender suas necessidades, como se nada fosse tão importante
quanto ele, não receber afeto ou atenção.
Isso compromete
esquemas importantes de trabalho ou estruturas sociais. O mais adequado é a
terapia, oração fervorosa para eliminar as angústias do passado e impedir a
quebra de relacionamentos ou explosões que possam gerar ressentimentos.
Cada pessoa tem
dentro de si um bloqueio que pode comprometer sua evolução. Na reforma íntima,
o indivíduo consegue perceber o que realmente pode ser fator de queda moral e
combater conscientemente este bloqueio com a ajuda do Evangelho.
Mas, o
melindroso não consegue fazer esta análise real porque não vê bloqueio em si
mesmo, já que ele só consegue achar problemas nos outros.
A humildade
permite que a pessoa encontre falhas em si mesmo. Todos nós, Espíritos em
evolução, temos limitações morais, então, para que você possa ter bons
relacionamentos, precisa ser humilde e encarar quando o problema está em você.
Se não conseguir sozinho, peça ajuda. Primeiro à Deus que concederá que pessoas
competentes te auxiliem na compreensão de si mesmo.
Gregório
15/06/2025
***
“Ninguém é tão
pobre assim que mereça pensar apenas em si mesmo”
Todos podem
ajudar!
Quando você
ajuda, sente-se útil e necessário ao todo.
São inúmeros os
recursos, tão belos de se ver numa noite fria. Tem aquele que doa no metrô, na
igreja, nos asilos ou orfanatos. Eles doam cobertores que não usam mais, roupas
bem quentinhas que estavam atravancando os armários, doam pantufas e tênis.
Eles doam amor.
Eles não sabem
para onde vão as doações. Não têm ideia de quem irá vestir, mas geram na alma
uma leveza que faz abençoar. Estes não têm contato com a dor, não veem o
carente, mas estão beneficiando de qualquer maneira.
Outros tantos
preferem o contato. Eles entregam em mãos, veem o olhar, sentem o frio e a
solidão. Doam, além do agasalho, o pão e também apresentam Jesus com o seu
Evangelho. Eles levam amor, atenção, esperança e paz. Eles se movem pela
gratidão, sentem os fluidos a percorrer o coração. São trabalhadores abnegados
que não param se chove, eles atuam com devotamento. Sabem que a dor do próximo
é a sua própria dor.
São tantos
irmãos que trabalham no frio...
Senhoras
bondosas que preparam o sopão, o café com pão, macarrão, tudo bem quentinho
para aquecer. Eles trabalham cortando tudo e temperam com fluidos de bondade.
Muitas não conseguem entregar, já estão cansadas da preparação, da montagem,
deixam tudo embaladinho para o consumo imediato.
Quando outros
trabalhadores vão entregar, saem satisfeitos em busca daqueles que estão
amontoados para se aquecerem. É um gesto importante de fraternidade que não
olha cor, credo, nacionalidade. É só amor e necessidade.
Todos podem
ajudar: fubá, feijão e arroz. Todos podem doar: touca, cachecol ou cobertor.
Ninguém é tão pobre assim que mereça pensar apenas em si mesmo. Ninguém é tão
miserável que não possa cortar cebolas ou entregar um prato. Participar do
trabalho social é ato de fé e de amparo. É necessidade íntima de renovação e
iluminação que desenvolve caráter e fornece recursos para consciência
edificante.
Abinael
15/06/2025
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